Do que eu era sabia-se pouco: até que dos beijos me caíram dentes. Dizia-se saber a pouco que tal esforço fosse meramente recompensado com lapsos de um sonho brutal e comandado, mas eu nunca me cansei. 

Do pátio molhado jorrava eu os meus pecados a quem tivesse o infortúnio de passar. Leva um beijo, leva um sonho: que tenhas a felicidade de não voltar. Sabia-se pouco, muito pouco - ou quase tanto quanto os nomes dos planetas. É como eu chamar-te Amor sem saber que, afinal, o teu nome é Ignorância.

Sostiene Pereira

 « Il rapporto che caratterizza in  modo più profondo e generale il senso del nostro essere è quello della vita con la morte, perchè la limitazione della nostra esistenza mediante la morte è decisiva per la comprensione e la valutazione della vita»

Antonio Tabucchi

Tenho fragmentos de poesia.

contudo, de todos eles eu lia

a mesma pausa repetida.

Que paragem de vida poderiamos querer

mais longa que a pausa entre respirações

entre contratempos pensados a tempo

de pensar em os evitar. Em vão.

Tenho lapsos de mim

em antónimos de epifanias

repetidas, por certo, doutras vidas

certamente, outras que não a minha. 

Não estou certa deste tempo.

Nem se é Janeiro, meio de Setembro

que me escalavra os pés.

O carpir incessante dos nós dos meus dedos

sobre a parede resoluta em construir tempo

atrás de tempo, diante dos meus dedos

desfeitos por quanto tempo o vento tem.

Tenho fragmentos de poesia

constituindo a pausa,

constituindo vida

para além da minha

para além da repetição antiga.

Vida nova faz-se do esquecimento

do tempo.

O meu gato toca Bandolim.

O meu gato toca Bandolim.

Depois de muito olhar para mim, miando e suplicando que me fosse deitar, o meu gato adormeceu aos meus pés. Agora, sentada em silêncio, ouço-o a inspirar fundo. A expirar fundo. A gemer e a tremer as patas como quem sonha que corre e caça a maior mosca do planeta. Aposto que é com isso que o meu gato sonha: apanhar moscas, brincar com os cordões dos meus sapatos, e que eu e os meus pais num lapso saímos durante um fim-de-semana e deixamos a porta da sala aberta com os sofás nus e libertos só para as suas unhas. Sim, sonha com isso e é por isso que agora treme as patas com tanta velocidade e geme com aquele sorriso malandro.

Não que estar em todo o lado a toda a hora seja uma necessidade.

Nem a de estar contigo, rir contigo e dizer-te Adeus - outra vez.

Não são necessidades, mas esforços que me esforço por cumprir. De mim para mim, para ir até ti e voltar para quem mais me quiser. Há-de resultar.

A que horas é ?

3 years ago 1 ♥

Never finding happiness isn’t the same thing as living unhappy

Menino ruivo do filme ‘Fame’
É por isto que não acaba.

É por isto que não acaba.

3 years ago 1 ♥
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